{"id":222,"date":"2009-02-23T19:51:54","date_gmt":"2009-02-23T19:51:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bv-guimaraes.org\/site\/?page_id=222"},"modified":"2019-12-03T17:05:41","modified_gmt":"2019-12-03T17:05:41","slug":"resenha-historica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.bv-guimaraes.org\/site\/resenha-historica\/","title":{"rendered":"Resenha Hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Guimar\u00e3es possu\u00eda j\u00e1 desde 1788 uma Companhia de Bombeiros Municipais, como escreve o Padre Ant\u00f3nio Caldas nas suas cr\u00f3nicas. No entanto e conv\u00e9m salientar que esta Companhia dispunha apenas de meios materiais, nomeadamente de tr\u00eas bombas contra inc\u00eandios. Na altura, uma lei rigorosa obrigava todos os indiv\u00edduos a prestar servi\u00e7o no combate ao fogo, sendo multados, e at\u00e9 detidos, aqueles que se negassem a faz\u00ea-lo. As bombas de picota bra\u00e7ais, ent\u00e3o existentes, eram enchidas a canecos de \u00e1gua, pagos a uns tantos r\u00e9is cada um por meio de fichas que na altura eram entregues a quem as abastecia e depois rebatidas na tesouraria da C\u00e2mara.<br \/>\nApesar disso, a sua efic\u00e1cia era diminuta. Como cidade antiga, o casario de Guimar\u00e3es era de constru\u00e7\u00e3o primitiva em que as paredes dos pr\u00e9dios e as suas divis\u00f3rias eram de taipa, feita pelo sistema de rod\u00edzio, cujos v\u00e3os preenchidos de palha e barro eram depois recobertos a massa formada de cal e saibro. Mal o fogo se ateava, eram facilmente destru\u00eddas.<br \/>\nPrimeiros Passos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 4 de Junho de 1869 ocorreu um grande inc\u00eandio no centro de Guimar\u00e3es tendo reduzido a cinzas v\u00e1rias casas e provocando ainda a morte de 4 pessoas. \u00c9 depois deste inc\u00eandio bem no centro da cidade, que se come\u00e7a a desenvolver a ideia de criar uma Corpora\u00e7\u00e3o de Bombeiros Volunt\u00e1rios. Um requerimento assinado por algumas personagens ilustres da cidade de Guimar\u00e3es e remetido \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Guimar\u00e3es a 6 de Dezembro de 1876 dava conta do pedido de uma bomba e respectivos apetrechos com vista \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o denominada por Bombeiros Volunt\u00e1rios de Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Requerimento enviado \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Guimar\u00e3es, em 6 de Dezembro de 1876<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&#8220;Dizem os abaixo assinados que tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o denominada \u2013 Bombeiros Volunt\u00e1rios de Guimar\u00e3es \u2013 que possa socorrer os habitantes desta cidade e seus sub\u00farbios, em caso de inc\u00eandio e outras calamidades, vem solicitar da C\u00e2mara de que V. Ex.\u00aa \u00e9 digno Presidente, o material necess\u00e1rio para levar a efeito uma t\u00e3o humanit\u00e1ria institui\u00e7\u00e3o. Os abaixo assinados, presentemente, n\u00e3o solicitam de V. Ex.\u00aa mais que uma bomba e seus apetrechos, responsabilizando-se pelo material que for confinado.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Assinam:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Ant\u00f3nio C\u00e2ndido Augusto Martins, Ant\u00f3nio Cris\u00f3stomo da Silva Bastos, Manuel de Castro Sampaio, Ant\u00f3nio de Freitas Carneiro e Oliveira, Domingos de Sousa Ribeiro, Jos\u00e9 Joaquim Ribeiro, C\u00e2ndido Jos\u00e9 de Carvalho, Ant\u00f3nio Fernandes Martins, Ant\u00f3nio Peixoto de Matos Chaves, Joaquim Ant\u00f3nio de Sousa Brand\u00e3o, Ant\u00f3nio Ribeiro da Costa Salgado, Rodrigo Jos\u00e9 Pacheco Barbosa, Jos\u00e9 Maria de Freitas Carneiro, Manuel Ribeiro Gomes de Abreu, Jo\u00e3o Arlindo da Silva Guimar\u00e3es, Virg\u00edlio Martins da Costa, Jos\u00e9 de Castro Sampaio, Ant\u00f3nio Augusto da Silva Carneiro, Jos\u00e9 Eduardo da Costa Mota, Jos\u00e9 Minotes, Domingos Ribeiro Guimar\u00e3es e Jos\u00e9 Joaquim de Oliveira J\u00fanior.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A C\u00e2mara deliberou unanimemente que fosse prestado todo o aux\u00edlio \u00e0 dita associa\u00e7\u00e3o fornecendo a bomba e respectivos apetrechos, bem como um voto de louvor \u00e0 jovem associa\u00e7\u00e3o. Assim se iniciava a organiza\u00e7\u00e3o dos Bombeiros Volunt\u00e1rios de Guimar\u00e3es, com o valioso contributo da C\u00e2mara Municipal, cedendo o material solicitado e que era perten\u00e7a dos Bombeiros Municipais, ent\u00e3o ainda existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, em 19 de Mar\u00e7o de 1877 por iniciativa de Jos\u00e9 Martins de Queir\u00f3s Montenegro, mais conhecido por \u201cMinotes\u201d e 1\u00ba Comandante dos Bombeiros Volunt\u00e1rios de Guimar\u00e3es, se inaugurou as primeiras instala\u00e7\u00f5es e sendo esse mesmo dia instituindo como o seu anivers\u00e1rio. Nesse ano de funda\u00e7\u00e3o a Corpora\u00e7\u00e3o era composta pelos seguintes bombeiros volunt\u00e1rios:<\/p>\n<table border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<th colspan=\"3\" align=\"center\">Comandante Jos\u00e9 Martins de Queir\u00f3s Montenegro<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Avelino da Silva Guimar\u00e3es (padeiro)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Francisco Fernandes (sapateiro)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Ant\u00f3nio Alberto da Rocha Guimar\u00e3es (ourives)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Francisco Jos\u00e9 dos Santos (sapateiro)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Ant\u00f3nio Augusto da Silva Carneiro (propriet\u00e1rio)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Francisco Jos\u00e9 Ribeiro (empregado)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Ant\u00f3nio Cris\u00f3stomo da Silva Bastos (negociante)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jo\u00e3o Ant\u00f3nio da Silva Guimar\u00e3es (artista)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Ant\u00f3nio da Silva Carneiro (contador)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Joaquim Ant\u00f3nio da Silva Brand\u00e3o (negociante)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Ant\u00f3nio Fernandes (trabalhador)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio de Meira (negociante)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Ant\u00f3nio Ribeiro da Costa Salgado (propriet\u00e1rio)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jos\u00e9 de Castro Sampaio (vereador da C\u00e2mara)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Ant\u00f3nio Salgado (mestre pedreiro)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jos\u00e9 Maria de Freitas Carneiro (empregado)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Domingos Jos\u00e9 Ribeiro Guimar\u00e3es (propriet\u00e1rio)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jos\u00e9 J\u00e1como (relojoeiro)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Domingos da Silva Ribeiro (propriet\u00e1rio)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jos\u00e9 Joaquim de Oliveira (regente de cart\u00f3rio)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Eduardo de Castro Mota (empregado)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jacinto Jos\u00e9 de Faria (negociante)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Eduardo da Silva Guimar\u00e3es (padeiro)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Jacinto Jos\u00e9 Antunes (mestre de m\u00fasica)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Francisco Cris\u00f3stomo da Silva Bastos (propriet\u00e1rio)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Manuel Jos\u00e9 da Fonseca (mestre pintor)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Francisco Paredes Guimar\u00e3es (curtidor)<\/td>\n<td align=\"center\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"center\">Virg\u00edlio Martins da Costa (escriv\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1893, foi dada aos Volunt\u00e1rios uma outra dimens\u00e3o nos servi\u00e7os de inc\u00eandio, que lhe ficaram a ser exclusivos com a extin\u00e7\u00e3o da Companhia de Bombeiros Municipais. Na sess\u00e3o de 2 de Janeiro, o Comando apresentou as bases de um contrato a realizar com a C\u00e2mara Municipal para que os Volunt\u00e1rios assumissem todo o servi\u00e7o de inc\u00eandios. O contrato celebrado com a C\u00e2mara foi concretizado por despacho ministerial de 27 de Maio de 1893, sendo a partir da\u00ed o servi\u00e7o de inc\u00eandios assegurado pelos Bombeiros Volunt\u00e1rios e a quem a C\u00e2mara Municipal de Guimar\u00e3es resolveu entregar todo o material pertencente aos Bombeiros Municipais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de Guimar\u00e3es possu\u00eda j\u00e1 desde 1788 uma Companhia de Bombeiros Municipais, como escreve o Padre Ant\u00f3nio Caldas nas suas cr\u00f3nicas. 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